Cada vez mais, marcas e pessoas estão hiperconectadas. Por isso, proteger uma ideia virou tão necessária quanto criá-la. À medida que o branding – que é o processo de criação, gestão e fortalecimento de uma marca -, se torna mais estratégico e integrado ao digital, as empresas estão recorrendo à propriedade intelectual não só para preservar nomes tradicionais de produtos, mas também para garantir exclusividade sobre termos criativos, campanhas e até mesmo o uso adequado de hashtags para gerar maior engajamento de sua audiência. Neste artigo, vamos abordar o branding como parte estratégica da proteção de marcas.
Nesse sentido, as escolhas do consumidor moderno são influenciadas por muito mais do que preço e qualidade, branding tornou-se um ativo estratégico imprescindível para qualquer negócio, não limitando-se a um logotipo ou slogan, mas a um conjunto de percepções, emoções e experiências que conectam o público à marca. É o que faz com que pessoas escolham uma empresa em detrimento de outra, mesmo quando os produtos são similares, concorrentes.
O que é branding?
Branding envolve tudo aquilo que contribui para a identidade e a reputação de uma empresa: nome, design visual, tom de voz, propósito, valores, posicionamento e até mesmo o atendimento ao cliente. Na prática, é sobre como sua marca é percebida, sentida pelo público. E, mais importante ainda, sobre como você deseja que ela seja notada.
A marca de uma empresa reflete como ela é percebida pelo mercado e pelo público, portanto, essa identidade traz os valores, a cultura, a missão e a visão do negócio de forma mais próxima de ser públicos de interesse, sua audiência. Assim, o branding é apresentado como uma solução, estratégia para moldar essa percepção e criar uma conexão bem direcionada com os consumidores, influenciando em suas escolhas.
Performance
De acordo com o artigo intitulado “Branding e Performance: a harmonia necessária entre autoridade e resultados” de Gabi Gonçalo, Head of Growth na Mega Comunicação, uma marca bem construída representa uma promessa e oferece uma experiência. Essa promessa é o que gera lealdade e estabelece uma diferenciação frente à concorrência. Contudo, sem uma estratégia de Branding consistente, os resultados de performance dificilmente serão sustentáveis.
Para a especialista, a performance está relacionada à capacidade da empresa de atingir metas, gerar leads, converter em vendas e alcançar objetivos estratégicos. Embora os resultados financeiros costumem ser o foco, a performance inclui também a eficiência interna, a satisfação dos clientes e até o impacto social do negócio.
No passado, proteger o nome da empresa e os logotipos era suficiente para garantir identidade e vantagem competitiva. Hoje, com a aceleração das interações online, das campanhas em tempo real e da viralização de conteúdos, esse universo cresceu exponencialmente. Desse modo, termos que antes pertenciam à esfera da comunicação efêmera – como slogans, nomes de produtos inovadores e hashtags – ganharam status de ativos valiosos.
Hashtags como estratégia visionária
As hashtags ganharam ainda mais evidência como ferramentas de organização de conteúdo em redes sociais, mas logo evoluíram para slogans digitais, símbolos de campanhas e pontes diretas com comunidades de consumidores. Diante disso, empresas passaram a buscar o registro legal de hashtags junto a órgãos como o INPI (no Brasil) e o USPTO (nos Estados Unidos). Um exemplo emblemático é o da General Motors, que registrou a hashtag #ChevyDriveChicago. Outra gigante, a Taco John’s, chegou a registrar a expressão “Taco Tuesday”, embora esse registro tenha sido amplamente contestado por outras marcas e pelo público. Essas ações mostram uma tendência clara: as empresas estão tratando as hashtags como propriedade intelectual estratégica, com potencial para se tornarem marcas registradas.

Outro movimento relevante é o crescente esforço para registrar nomes de produtos antes mesmo do lançamento. No setor de tecnologia, essa iniciativa se tornou quase um padrão. A Apple, por exemplo, é conhecida por registrar nomes como “iWatch” e “Reality Pro” muito antes de lançamentos oficiais – mesmo quando nem todos os produtos chegam ao mercado.
Todavia, no mercado da moda e beleza, a Kylie Jenner, por exemplo, tentou registrar “Kylie” como marca global, gerando disputas jurídicas com outras personalidades, incluindo a cantora Kylie Minogue. De acordo com informações da reportagem publicada pela revista Exame – De Hailey Bieber à Rihanna-, a Kylie Cosmetics, fundada por Kylie Jenner em 2015, rapidamente se tornou um fenômeno no mercado de beleza, graças ao sucesso dos seus famosos Lip Kits e à influência massiva da empresa. Para acessar o texto na íntegra clique aqui.
Portanto, registrar nomes antecipadamente junto ao INPI e com a assessoria da Brasnorte garante exclusividade, evita cópias e dá à marca segurança para investir em campanhas de lançamento robustas. Além disso, permite maior controle sobre presença digital, SEO e uso comercial.
A propriedade intelectual no branding moderno
A propriedade intelectual (PI) sempre foi uma aliada do branding. Mas agora ela assume papel de protagonismo. Marcas não estão mais preocupadas apenas com proteção legal – estão desenhando estratégias de branding baseadas no próprio conceito da PI.
Essas estratégias envolvem:
1. Auditorias regulares de ativos intangíveis (como nomes, domínios, slogans e hashtags);
2. Registro preventivo e internacional de marcas e nomes;
3. Monitoramento de usos indevidos ou concorrência parasitária nas redes sociais;
4. Adotar ferramentas de vigilância digital para identificar violações de marca em tempo real.
Empresas de todos os portes estão contratando especialistas em PI para atuar lado a lado com os times de marketing, criando ações de lançamento e divulgação já embasadas juridicamente.
Um risco comum entre pequenas e médias empresas é lançar uma marca ou campanha sem antes consultar a viabilidade jurídica do nome. O resultado pode ser desastroso: perda de investimento, ações judiciais e a necessidade de rebranding precoce.
A equipe jurídica da Brasnorte domina diversas áreas da Propriedade Intelectual – como contratos de licenciamento, transferência de tecnologia, franquias, direitos autorais, concorrência desleal, litígios e software – e oferece suporte completo e estratégico para proteger os ativos intelectuais de cada cliente.
Leia mais – Custos de não registrar sua marca.
Em contrapartida, empresas que adotam uma cultura de “branding jurídico” conseguem transformar até hashtags em capital de marca. Um bom exemplo foi o da Red Bull, que registrou nomes como “Red Bull Flugtag” e “Red Bull Soundclash”, eventos de marca que se tornaram extensões poderosas do branding da empresa.
Branding multiplataforma e proteção de ativos digitais
Com o avanço das tecnologias emergentes – como metaverso, inteligência artificial e NFTs -, novas formas de identidade de marca estão surgindo. E, com elas, novas necessidades de proteção.
Por outro lado, empresas já registram nomes, avatares, trajes virtuais, sons e expressões visuais, antecipando o branding em ambientes digitais imersivos.
Em suma, o branding do futuro será multiplataforma, sensorial e dinâmico – e, por isso mesmo, demandará uma abordagem ainda mais robusta de propriedade intelectual.
Num cenário em que qualquer palavra, imagem ou símbolo pode viralizar e gerar valor, proteger ativos como hashtags, nomes de produtos e slogans digitais virou tendência.
A união entre marketing e propriedade intelectual nunca esteve tão forte – e quem entender isso antes sai na frente em reputação, engajamento e diferenciação.

