Com os avanços acelerados da inteligência artificial, os deepfakes, que são vídeos e áudios manipulados por Inteligência Artificial para imitar rostos e vozes com alto grau de realismo, vêm se tornando ferramentas cada vez mais sofisticadas e potencialmente perigosas. Segundo a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI; em inglês, World Intellectual Property Organization), o uso indevido dessa tecnologia representa uma ameaça crescente à integridade de marcas e à identidade de indivíduos. Um caso recente que viralizou nas redes sociais mostrou como deepfakes podem ser usados em publicidade sem consentimento, violando direitos de imagem e favorecendo fraudes, desinformação e danos à reputação.
De acordo com o relatório global de ameaças da ESET aponta um crescimento expressivo no uso de deepfakes envolvendo nomes de empresas no segundo semestre de 2024. Entre junho e novembro, a telemetria da multinacional de segurança digital registrou aumento de 335% em golpes com imagens manipuladas nas redes sociais.
O levantamento também aponta o crescimento do roubo de criptomoedas, inclusive no Brasil, e do ransomware, que lucra com resgates para devolver dados sequestrados.
No segundo semestre, a ESET identificou um aumento de deepfakes que usam marcas conhecidas para enganar o público. Classificadas como HTML/Nomani, essas fraudes tiveram seus primeiros ataques no Japão, Eslováquia, Canadá, Espanha e República Tcheca.
O que são deepfakes e por que representam um risco?
O termo deepfake vem do inglês e significa: profundo (deep) e falso (fake). Trata-se de um método de aprendizado de máquina baseado em algoritmos, que são utilizados para extrair dados brutos, progressivamente. Esse método consegue analisar dados não estruturados, como o rosto humano.
Deepfakes são vídeos, áudios ou imagens gerados ou manipulados com inteligência artificial para parecerem reais. Ou seja, é possível simular a fala, os gestos e até expressões faciais de uma pessoa, mesmo que ela nunca tenha participado da gravação.
Além disso, quando aplicados sem autorização, esses conteúdos podem deturpar a identidade de indivíduos, transmitir mensagens falsas e causar danos à reputação de pessoas e marcas.
Deepfake e o caso que viralizou nas redes sociais

Uma internauta descobriu que uma marca recriou seu rosto com inteligência artificial (IA) para vender produtos sem autorização. Seu vídeo de denúncia, com milhões de visualizações, alertou empresas e consumidores sobre os riscos do uso irresponsável da IA.
De acordo com a legislação brasileira, o direito à imagem é um direito fundamental protegido pela Constituição. Isso significa que ninguém pode ter sua imagem utilizada publicamente sem autorização prévia, principalmente quando o uso compromete sua integridade, reputação ou valores pessoais.
Em casos como o da internauta, a empresa pode ser responsabilizada por danos morais, além de enfrentar consequências jurídicas por uso indevido de imagem, mesmo que o conteúdo tenha sido gerado pela inteligência artificial.
Deepfakes: um risco crescente para a reputação das empresas
Muitos ainda acreditam que os impactos das deepfakes se restringem a usuários enganados por golpes ou a celebridades que têm suas imagens e vozes usadas indevidamente. Essa visão, além de equivocada, representa um perigo.
Segundo o Relatório de Fraude de Identidade da Sumsub, divulgado em 2023, o uso de deepfakes no Brasil aumentou 830% em apenas um ano. Mais preocupante ainda é que quase metade dos casos registrados na América Latina ocorreram no país.
Considerada a forma de fraude que mais cresceu nos últimos anos, a tecnologia de deepfake já figura entre as maiores ameaças para as empresas, especialmente no que diz respeito à preservação de sua imagem e credibilidade.
Em suma, o uso de deepfakes no marketing exige responsabilidade, transparência e respeito à legislação. Embora a tecnologia ofereça possibilidades criativas e inovadoras, seu uso indevido pode trazer graves consequências legais e éticas.
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